Em agosto, a Igreja celebra a cada domingo, uma vocação – dom divino que se manifesta em diferentes caminhos, todos igualmente importantes no grande mosaico da fé e como formas de responder “sim” ao mesmo Deus que nos chama a servir.

Através de depoimentos, nós reunimos vozes de nossa comunidade que ousaram escutar esse chamado:
– Padre que abraçou a missão de guiar
– Religioso e religiosa que consagraram sua vida à oração e serviço
– Casal que transforma o amor em aliança sagrada
– Leigas que santificam o mundo no cotidiano

Cada depoimento é um testemunho vivo de que Deus fala aos corações de formas únicas. Aos que compartilharam suas histórias: nosso profundo agradecimento por inspirar novos vocacionados. Aos que estão discernindo: que estas palavras acendam em vocês a coragem de dar o primeiro passo!
Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi” (Jo 15,16).

Que agosto nos lembre: todos somos chamados – e é na comunidade que essa vocação floresce.

O primeiro domingo é dedicado à vocação sacerdotal, comemorando o dia dos padres e diáconos

“Eu pensei em ser padre pela primeira vez quando eu estava cursando a sexta série (do antigo ginásio) e participei de uma jornada missionária no colégio salesiano, no qual eu estudava. Vendo os filmes e os depoimentos dos missionários e missionárias eu senti um desejo que veio de dentro: ser como eles, evangelizar como eles, servir como eles, e eu tinha medo que ninguém acreditasse que eu tinha vocação, porque eu adorava dançar e participar de festas. Eu diria a quem está discernindo seu caminho vocacional hoje que leia a vida de santos e santas, que  conheça casas religiosas, congregações e a vida de missionários e padres, que converse com padres, religiosas que transmitem alegria pela vocação que vivem e para quem deseja se casar para que converse com pessoas casadas que transmitem alegria na vivência da vida em família. Eu cresci na amizade com Jesus lendo as cartas de São Paulo e vendo como Paulo amava Jesus Cristo, como ele amava as comunidades… Isso aquecia meu coração e enchia meu coração de alegria… Me atraía e ainda me atrai hoje!”  Padre Boris Agustín Nef Ulloa, 26 anos de Sacerdócio.

 

 

 

 

 

 

 

Crédito da Foto: Luana Aguilar e Varlindo Rocha

Percebi o chamado quando um padre amigo me apontou dons e inclinações para o serviço, algo que eu talvez não tivesse notado tão claramente em mim. O maior desafio ao dizer ‘sim’ a esse chamado foi, sem dúvida, enfrentar a mim mesmo. Eu carregava o medo de não estar à altura, de falhar ao tentar conciliar as exigências da vocação com a vida familiar e profissional — e, sobretudo, ter a paciência necessária para o processo de formação. Para quem está discernindo seu caminho hoje, meu conselho é este: abra seu coração e converse com alguém de confiança. Compartilhe suas dúvidas e anseios com um padre, um(a) religioso(a), um diretor espiritual ou alguém cuja fé e sabedoria você admire. Ouvir suas experiências e conselhos pode trazer clareza, consolo e, certamente, ajudar a organizar seus pensamentos. Para discernir meu chamado, foi fundamental o diálogo: conversei muito, participei de mini comunidades e escutei a experiência de vida religiosa dos padres. Encontrei um diretor espiritual que, com sua fé e profundo conhecimento bíblico, me guiou nesse processo.” Diácono Koichi Sanoki, 17 anos de diaconato

Crédito da Foto: Pascom Imaculada

O segundo domingo é dedicado à vocação matrimonial, celebrando também o Dia dos Pais.

Eu me sentia sozinho, apesar de morar com meus pais e eles terem bastante idade. A decisão em me casar foi por essa razão: eu tinha dificuldade em viver sozinho, queria ter alguém para compartilhar as idéias, formar uma vida junto de alguém. Eu nunca tive nenhum medo de me casar… Muito pelo contrário, eu senti alegria em me casar. Depois que conheci minha esposa eu já não podia mais viver sem ela. A maior dificuldade era a distância: ela morava em Santo André, eu morava e trabalhava em bairros diferentes em São Paulo, era uma vida muito difícil. Eu diria a quem quer formar uma família que se casar é ter uma companhia com uma pessoa que vai te acompanhar a vida inteira. Eu acho que quando a pessoa está apaixonada ele não quer saber se a pessoa sabe cozinhar, ou o quê e como ela é: se ele tem amor por ela, então ela é bonita pra ele.” Blas Alonso Seguro, 68 anos de Matrimônio

Eu acredito que a missão do matrimônio é Deus quem dá: eu era jovem de família e cuidava de minhas irmãs mais novas enquanto minha mãe e meu pai trabalhavam. Quando conheci a pessoa certa, meu esposo, não tive dúvidas para nos casar. Enfrentamos juntos muitos desafios, como dar aos filhos bons estudos e uma boa morada e na mesa nunca faltou alimento. Aos que querem se casar eu diria que não tenha medo: o amor e a fé em Deus nos faz vencer todas as dificuldades.” Maria de Lourdes Monis Seguro, 68 anos de Matrimônio 

Blas e Maria de Lourdes em 1957 e em 2025. Fotos fornecidas pelo casal.

O terceiro domingo é dedicado à vida religiosa consagrada, celebrando religiosos e religiosas.

Foi quando eu participava das atividades da minha paróquia que senti que Deus me chamava para a vocação de vida consagrada. Meu maior desafio foi deixar minha família ainda bem jovem renunciando a vários projetos. Eu diria aos jovens que não tenham medo! Deus não nos tira nada quando entregamos a vida a Ele e nos dá o que precisamos para construirmos o caminho da felicidade e realização.” Irmã Carolina Mureb Santos, 29 anos de vocação de vida consagrada

Foto fornecida pela autora do depoimento.

O quarto domingo, é dedicado às vocações leigas, com a participação dos fiéis leigos na Igreja e no mundo.

Eu não sabia que tinha  vocação para a música até o momento em que fui convidada pelo Nei e o Moacir a participar do canto na missa. Meu “sim” foi imediato, embora com muito receio, devido a responsabilidade de cantar para Deus e para a comunidade. Hoje convido as pessoas a participarem da música. Incentivo e me coloco à disposição para cantar junto. A música enobrece a alma e acalma o coração. Venha participar conosco! Será muito bem vindo(a).Marlene Dias Ferreira. Pastoral Litúrgica – 30 anos como cantora

Foto fornecida pela autora do depoimento.

O quinto domingo em agosto é dedicado à vocação dos catequistas, aqueles que transmitem a fé

Eu me tornei catequista quando o padre Boris e o Padre Rodrigo me fizeram este convite. Eu fiquei muito feliz com o desafio, principalmente porque os padres concordaram em me ajudar a aprender a viver esta linda missão. O segredo é nunca esquecer que, como cristãos, somos chamados a viver a graça da comunhão, nunca estamos sozinhos. O maior desafio de uma catequista é estar aberta às surpresas do caminho. Sim, porque cada grupo de catequizandos é único em si mesmo, por isso precisamos estar abertos para conhecê-los e rever os passos e a metodologia a cada dia. Os catequistas precisam conhecer os ensinamentos da Igreja, a mensagem de Jesus presente na Bíblia e é claro nutrir-se dos sacramentos. Mas o ponto essencial é estarmos abertos a respeitar cada criança e cada família na verdade daquilo que são. Porque o cristianismo é um caminho de comunhão, e é juntos que podemos viver a missão.” Maria Martha Novaes dos Santos, Catequista há 3 anos.

Foto fornecida pela autora do depoimento.

Eu percebi o chamado Deus para a vocação da catequese quando me tornei mãe e comecei a catequizar o meu filho. O maior desafio que enfrentei foi o meu medo de não saber o suficiente.  Eu diria a quem está discernindo seu caminho vocacional, como catequista, que confie, que seja humilde,pois aprendemos muito com as crianças.”  Diana Souza Luciano Prazeres, assistente na catequese por 12 anos

Foto fornecida pela autora do depoimento.

 

Nota

Crédito de Imagem que abre este artigo: Arte criada com Canva. Pascom Imaculada